De Recife para o Hungaroring: a trajetória que chegou até aqui
Rafa Câmara pilotou um carro
de F1. E a Ferrari não faz isso por acidente
Nos dias 13 e 14 de maio,
enquanto o paddock da Fórmula 1 descansava entre Miami e o Canadá, Rafael
Câmara estava no Hungaroring, em Budapeste, fazendo algo que pouquíssimos
pilotos brasileiros fizeram na história recente: sentar numa Ferrari de F1 e
acelerar.
O carro era a SF-25, o
monoposto da temporada passada, número 38. A atividade se encaixava no formato
TPC, Teste de Carros Anteriores, modalidade autorizada pela FIA para que
equipes desenvolvam jovens pilotos sem infringir as restrições de quilometragem
da temporada vigente. Sem limite de voltas, sem cronômetro oficial, sem o peso
de um fim de semana de GP. Só um piloto de 21 anos aprendendo o que um carro de
Fórmula 1 exige de quem quer chegar lá de verdade.
A Ferrari Driver Academy
publicou um vídeo nos bastidores. A legenda escolhida: "You never forget
your first." Não havia como ser mais direto.
De Recife para o Hungaroring:
a trajetória que chegou até aqui
Rafael Câmara entrou para a
Ferrari Driver Academy em 2022. Naquela época, era um adolescente recifense com
resultados promissores nas categorias iniciais europeias. Em quatro anos,
construiu um currículo que justifica cada oportunidade que vem recebendo.
Em 2024, foi campeão da
Fórmula Regional Europeia. Em 2025, subiu para a Fórmula 3 e venceu o título já
na primeira temporada, com quatro vitórias, cinco poles e cinco pódios,
fechando o campeonato com uma rodada de antecedência. A FIA o elegeu Novato do
Ano. A sequência tinha lógica própria: 2026 seria na Fórmula 2, pela Invicta
Racing, a mesma equipe que revelou Gabriel Bortoleto.
A temporada de F2 confirma
que o ritmo não caiu. Após quatro etapas, Câmara é vice-líder do campeonato com
dois pódios e 34 pontos, um ponto atrás do búlgaro Nikola Tsolov. Não é um
piloto gerenciado com cuidado para não errar. É um piloto que compete para
ganhar.