Rastro de milhões expõe conexões entre banco e políticos da Bahia e acende alerta nos bastidores
Novos documentos
encaminhados pelo Banco Master à Receita Federal revelaram um fluxo milionário
de recursos envolvendo empresas ligadas a figuras influentes da política
baiana, levantando questionamentos sobre a relação entre o setor financeiro e
agentes públicos.
No centro das informações
está o empresário Daniel Vorcaro, apontado como articulador de uma rede de
pagamentos que atravessa diferentes grupos políticos. Os dados indicam repasses
que alcançam desde o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da
Bahia, ACM Neto, até pessoas ligadas ao senador Jaques Wagner, além de nomes
associados ao centrão e ao governo federal.
Entre os valores citados,
aparece um montante de R$ 5,4 milhões destinado a uma empresa de consultoria
vinculada a ACM Neto, entre 2023 e 2025. O ex-prefeito declarou não reconhecer
os números detalhados, afirmando não ter tido acesso completo às informações,
mas destacou que o contrato foi firmado fora de qualquer exercício de cargo
público.
Já no entorno de Jaques
Wagner, o volume chama ainda mais atenção: cerca de R$ 14 milhões teriam sido
transferidos para a empresa BN Financeira, ligada à sua nora. Em nota, a
empresa negou qualquer vínculo político nas operações e afirmou que todos os serviços
foram realizados dentro da legalidade, com registros formais.
A lista de movimentações
inclui também o ex-ministro Ronaldo Bento, cuja empresa teria recebido R$ 6,2
milhões, além de uma companhia associada ao filho do senador Otto Alencar, que
movimentou aproximadamente R$ 12 milhões no período analisado. Em todos os
casos, os envolvidos sustentam que os contratos seguiram os trâmites legais.
Nos bastidores, o silêncio
tem prevalecido. Diferentes grupos políticos evitam aprofundar o debate,
temendo desgastes em meio ao cenário de pré-campanha. A expansão do Banco
Master na Bahia, impulsionada pela entrada do empresário Augusto Ferreira Lima,
ampliou conexões com lideranças locais e com Brasília, incluindo relações com
gestões como a do ex-governador Rui Costa e o governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
O caso, ainda em
desenvolvimento, reforça a atenção sobre os limites entre interesses privados e
o poder público e pode ter impacto amplo, atingindo tanto aliados do atual
governo estadual quanto seus adversários políticos.